Virgindade (texto para os pais de adolescentes)

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Atendo tantas adolescentes que não sabem como abortar esse assunto com suas mães. Também não é fácil para uma mãe perguntar para sua filha se a mesma é ou não virgem e escutar uma resposta sincera ou esclarecedora. Como abordar esse assunto com os filhos adolescentes sem constrangê-los? Ou como falar em virgindade sem se sentir sem graça? Esse assunto ainda é um tabu no contexto familiar. Há uma diferença grande na maneira como os pais enxergam a perda da virgindade do filho comparado com a da filha. É como se para a jovem este assunto é bem mais complexo e “abafado”. Vivemos tempos modernos, mas com uma questão tão delicada que, muitas vezes, é “omitida” para evitar conflitos.

Não adianta fingir que essa questão não existe ou botar medo nos filhos. Realmente acredito que há sim uma necessidade de esclarecer a abordar tal assunto de forma sincera e tranquila, afinal de contas, há muitas responsabilidades em jogo. Esclarecer, veja bem, é bem diferente de colocar medo. Não aterrorize o adolescente acreditando que assim ele(a) não vai ter curiosidade pelo assunto, pelo contrário. A mídia, os amigos, a internet passam a ser fonte de “ensinamento”. E você confia totalmente nestas fontes? Caso você (pai ou mãe) que sentirem dificuldade em falar francamente com seus filhos sobre o assunto, podem pedir uma orientação com um terapeuta, psiquiatra, hebiatra ou até mesmo com alguém de confiança da família. Mas respeite a individualidade de seus filhos. Não questione fazendo pressão e deixando claro, através de sua abordagem, que eles estão errados ou que vão te decepcionar/desagradar caso a resposta seja diferente da que você espera. Assim você só vai conseguir mentiras ou omissão. Dê tempo para que os mesmo se sintam à vontade em se abrir, pois assim como para você é delicado falar sobre virgindade, a mesma sensação pode ocorrer com seus filhos.

Encarar esse assunto de frente é melhor que evitá-lo, pois as consequências podem ser desastrosas. Percebo, em meus atendimentos, como as meninas (principalmente) são desinformadas sobre o assunto. Não sabem, por exemplo, como tomar corretamente um anticoncepcional ou que “coito interrompido” não é seguro, que sexo oral pode transmitir doenças, etc. Muitas adolescentes se abrem comigo por não ter ninguém da família para conversar.

Acredito que a primeira vez tem que ser especial e não pode ser um impulso para se sentir “igual”  aos outros de sua idade. Muitos adolescentes repetem comportamentos e seguem tendências. Infelizmente nossa sociedade está cada vez mais superficial e a questão afetiva está ficando de lado. Relação sexual é um assunto sério e me espanta ouvir relatos de jovens despreparadas praticarem atividade sexual sem nenhum conhecimento ou até mesmo preparo emocional.

Um excelente final de semana a todos,

Mariza Matheus

Imagem: Public Domain Pictures

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