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Geração WhatsApp

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Já repararam que as pessoas, hoje em dia, andam olhando pra baixo? Quer dizer, andam olhando para o celular. Na verdade, não vejo esse comportamento apenas nas ruas. Percebo também nos restaurantes, no metrô, em sala de aula, etc. Até durante consulta eu vejo paciente (mais adolescentes) checando o celular depois de um aviso sonoro típico. Pergunto se é algo urgente que não pode esperar e escuto que “são apenas mensagens” e assim a consulta segue, sendo interrompida por alguns “fififiFIfi”.

As pessoas não enxergam mais! Não reparam mais no que está em sua volta. Não sabem mais os assuntos que são abordados. Fico preocupada com tanta comunicação tecnológica e menos conversa ao vivo, menos olho no olho, sabe? Menos contato humano. Nossa geração WhatsApp nos faz mais íntimos do celular e não das pessoas. Já vi no Facebook um perfil onde dizia ter um “relacionamento sério com o celular”.

Estamos tão apegados à tecnologia que se formos assaltados e levarem nosso celular é como se levasse TUDO que temos. Será? Sei que não posso generalizar, mas o que está acontecendo com as relações interpessoais? Esses dias escutei uma jovem relatar que prefere conversar pelo WhatsApp do que ao vivo, pois se cansar, é só mudar para outro grupo e “fingir” que está ocupada. Como assim? Fingir fazer algo para continuar fazendo nada?

Acho esse aplicativo interessante e pode ajudar muito, se for bem aproveitado. Quando viajo, meus pacientes me encontram rapidamente. Converso com minha irmã e meu marido sempre que quero dividir algo que acredito ser importante com eles. Atualizo-me com assuntos dos meus estudos com facilidade e rapidez. Mantenho meus contatos profissionais em dia. Mas, por outro lado,  não quero saber do ódio que as pessoas têm do governo a cada 5 minutos ou das intermináveis mensagens “genéricas” sem fundamento. Vamos usá-lo a nosso favor e não contra nossa paciência!

E o que são estes grupos do WhatsApp? Fui colocada, repito, foi colocada em grupos que nem pedi para entrar! Infinitos bons dias  automáticos que literalmente cansam a paciência. São muitas mensagens e muitas sem sentido ou políticas/religiosas. Frases motivacionais acompanhadas de muitas “palminhas” mas sem conversas propriamente ditas. Estamos nos comunicando sem assunto. Estamos escrevendo sem ler o que o outro escreve. Estamos vazios… mas repletos de mensagens.

E o que acontece em nossa volta? Não sabemos, pois estamos olhando pra baixo.

Um excelente dia a todos…

Mariza Matheus