Seja compreensível

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Quando nos relacionamos com alguém, temos momentos bons e ruins. Fato. Há momentos onde nosso parceiro(a) encontra-se fragilizado. Muitas vezes essa fragilidade vem em forma de somatizações (dores constante pelo corpo, alterações gastrointestinais inexplicáveis, infecções recorrentes, etc) e alterações comportamentais (labilidade emocional, impulsividade, isolamento, etc). No início é muito difícil reconhecer que trata-se de algum distúrbio psíquico, como depressão, por exemplo. Pensa-se logo que o cônjuge está fazendo drama, manipulando ou até “fingindo” estar doente por que “gosta” dessa situação. Há alguns casos que isso pode até acontecer (manipulação), mas isso é a minoria (e tem a ver com caráter). Refiro-me aos casos concretos e, infelizmente, cada vez mais comuns. Bom, não acho que seja divertido para aquele que se encontra instável emocionalmente fingir algo que lhe traga tanta dor. A dor psíquica é considerada uma das piores dores do ser humano. A angústia é uma “dor” sufocante.

Nesta postagem eu quis abordar o outro lado, não o do paciente e sim do cônjuge ou daquele que se relaciona com uma pessoa que se encontra nesse estado. Não seja aquele “dedo que aponta e humilha”, que ignora ou que faz pouco caso dos sentimentos do outro. Não seja ríspido ou impaciente.  Sim, é muito difícil se relacionar com alguém fragilizado e, por ser de ordem psíquica, este nem sempre é levado a sério. Tudo que é subjetivo incomoda. Imagine se tivéssemos um exame de sangue onde se poderia diagnosticar o nível da depressão (grau I, II ou IV)? Saber se é contagiosa? Ou se os antidepressivos fizessem o mesmo papel dos antibióticos e resolvessem o quadro clínico em duas semanas? Seria muito bom, não é mesmo? Mas os quadros depressivos, com ou sem somatizações, demoram a ser diagnosticados e, geralmente, seu tratamento é a longo prazo.

Seja companheiro e dê o apoio que seu parceiro(a) necessita. Não me refiro a fazer tudo que o outro deseja (aí pode gerar um ganho secundário do outro), mas mostre que você compreende o que está acontecendo e que ele(a) pode contar com seu apoio. Escuto muito de meus pacientes dizerem que seus cônjuges não acreditam em depressão, que é algo da cabeça, inventado. Sim, é da cabeça mesmo, mas é um distúrbio que altera o comportamento e precisa ser acompanhado/tratado. Não é “frescura” como eu já escutei de alguns acompanhantes de meus pacientes. Depressão é doença. Procure conversar com o médico de seu(sua) parceiro(a) e tire também suas dúvidas. Não me refiro “a tentar descobrir” o que o cônjuge falou ou deixou de falar (isso é sigilo médico!), mas tire suas dúvidas sobre o quadro clínico, qual orientação o médico pode te dar para que a evolução do tratamento seja a melhor possível, como você deve proceder caso haja uma recaída ou crise, etc. Seja companheiro(a) e ajude seu(sua) parceira a sair da depressão.

Um excelente dia a todos…

Mariza Matheus

Foto: George Hodan (Public Domain Pictures)

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