O medo de envelhecer sozinho

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Mulher sentada sozinha em um bancoHoje eu recebi um email de uma querida leitora falando sobre seu medo de envelhecer e dar trabalho às outras pessoas. Não posso ser hipócrita e dizer que também não compartilho de seu medo. Entendo muito bem seu medo, cara leitora. Mas, por outro lado, se martelarmos esse medo em nossa mente só vamos aumentá-lo ainda mais. Não sabemos do amanhã. Já vi e escutei tantas histórias de meus pacientes que a única certeza que tenho é que tudo tem seu percurso.

Há muitos anos, durante minha residência médica, eu atendi uma senhorinha em sua casa. Eu tinha que fazer uma avaliação para ver se ela necessitava ou não de um benefício do INSS. Antes de ir à sua casa, li seu histórico. Fiquei imaginando como seria encontrá-la, sozinha e sem parentes, morando em uma casinha literalmente “abandonada”. Ao chegar em sua casa, uma outra senhora me recebeu com um sorriso largo. Perguntei se era parente e a mesma negou, dizendo ser apenas a vizinha. Fui fazer minha avaliação e a senhorinha (paciente) estava MUITO bem cuidada, sorridente e participativa. Não parecia com nada que eu havia imaginado antes. Ela era uma viúva e não tinha filhos e nem parentes próximos. Descobri, que ela era sim muito bem cuidada por “anjos” vizinhos. Nenhum sinal de maus tratos ou de solidão. Sim, ela morava sozinha mas não era sozinha. Todos os dias algum vizinho estava sempre presente em sua casa. Anos depois, descobri que ela falecera na mesma condição, ou seja, feliz e bem cuidada. O que ela tinha para precisar de um auxílio? Um quadro demencial (senil) em decorrência de sua idade avançada, mas em nenhum momento ela foi abandonada. Essa história me trouxe um certo conforto em relação ao meu medo também de ficar dependente na velhice. Será que iremos encontrar anjos em nosso caminho? Acredito que sim.

Por outro lado, eu já atendi senhoras com filhos e netos porém extremamente solitárias. O que quero dizer? Que não sabemos como vamos enfrentar nossa velhice. Esses dias, minha irmã disse que o importante é fazermos o bem. “Se fizermos o bem, o bem acontecerá de volta”. Logo veio à minha mente o meu avô, a pessoa mais generosa que conheci. Ele faleceu em 2013, lúcido e independente. Seguiu sua vida feliz e satisfeito e sempre falava que estava no lucro (morreu aos 90 anos!). Trabalhou até dois meses antes de sua partida e sim, ele teve um anjo chamado Cilene (sua cuidadora). Como sou grata à ajuda da Cilene. Obrigada! Ela foi, na verdade, o anjo da família, pois com o trabalho precisámos de alguém como ela para olhar por ele enquanto não podíamos estar presentes.

Então, queridos leitores, não sei sobre o futuro, mas deixo então o conselho de minha irmã, façam sempre o bem.  Vamos, todos nós, fazer o bem e no fim… tudo vai dar certo! Acredito que há muitos anjos espalhados por aí. Quem sabe você, leitor(a), será o anjo na vida de uma pessoa.

Abraço a todos,

Mariza Matheus

Imagem: Public Domain Pictures (George Hodan)

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